Partindo da liberdade como um direito básico dos seres humanos e dos animais, é um dever moral respeitar a liberdade dos outros. Faz (ou não) parte destes deveres morais não comermos carne? O veganista, que quer limitar o mais possível o uso dos animais estará certamente de acordo. Também os vegetarianos quase certamente estarão de acordo, embora entre eles alguns não comam carne apenas por razões de saúde, para quem as objecções à matança de animais não são relevantes.

Assuntos neste artigo:

  • Comer sem carne torna-se cada vez mais normal
  • Comer menos carne é mais saudável
  • Será mais saudável comer produtos da caça?
  • Comer peixe, é melhor do que comer carne?
  • O que dizem os éticos e filósofos?
  • E alguns biólogos?
 

O grupo dos carnívoros pode ser dividido em dois: os que comem carne da bio-indústria e os que comem carne de produção biológica por exemplo do Talho Biológico. Queremos deixar clara a nossa opinião que quem come carne produzida pela bio-indústria não faz como deve: achamos que neste caso os limites morais são violados. A origem e a base destes limites foram expostas no artigo sobre a liberdade como um direito básico dos animais.

A bio-indústria pratica a exploração desenfreada e esgotante da Terra, do ambiente, da saúde humana, e do bem-estar dos animais. Se quem come carne de origem biológica e equivalente também desrespeita princípios morais depende da forma como se encara o direito dos seres humanos de matar animais.

Estes carnívoros poderão alegar que os animais antes de morrerem tiveram uma vida digna de animais. Isso não é o suficiente para adquirirmos o direito de matar animais.

Argumentos fracos

Quem come carne pode apenas mencionar (além do facto que gosta de carne) que a carne é um alimento fácil de preparar e nutritivo. Possívelmente argumentará também que na natureza certos animais também comem outros animais. Mas os animais não têm a possibilidade de escolher, enquanto que os seres humanos escolhem a sua alimentação, o que os torna responsáveis.

Quando se apresentam estas objecções a alguém que come carne da bio-indústria o argumento que todos têm a liberdade de escolher comer ou não comer carne não tem valor, porque o que realmente fez foi violar princípios morais.

 

Matar um animal também não pode ser visto com uma libertação do seu sofrimento. Matar os animais é feito para satisfazer o prazer humano de comer carne. Não se trata duma razão superior e digna de louvor. Certamente que quando se considera o direito à vida implícito no direito à liberdade não se pode fugir à conclusão que matar animais (pelo prazer de comer carne) é uma violação dos seus direitos básicos.

Quem acha que não deveria ser responsável pela morte de animais pode evitar este dilema decidindo definitivamente não comer mais carne. Há muito a dizer a favor dum menu sem carne: as considerações da consciência, a saúde, o sabor e os custos são todos argumentos a favor de deixar de comer carne.

     

Comer sem carne torna-se cada vez mais comum.

Relativamente a este desenvolvimento pode-se pensar: "Tudo bem, cada um o seu, mas eu acho que uma refeição sem carne não está completa". Também se pode pensar: "uma refeição sem carne também pode ser deliciosa". A nossa intenção é que as pessoas (re)examinem a questão se é aceitável comer carne produzida pela bio-indústria. Todos tivemos a oportunidade de observar os escândalos na indústria da carne: dioxinas, hormonas, peste suína e BSE. Estes escândalos são exemplares da indiferença quanto ao destino dos animais.

Como se poderia defender moralmente comer a carne de animais produzidos pela bio-indústria? Não é possível, e o carnívoro apenas encolhe os ombros toldado pela indiferença. Achamos que é uma questão de civilização saber conduzir a sua vida respeitando a liberdade de todos os seres vivos. Um animal merece uma vida melhor do que a antecâmara da morte a que chamamos bio-indústria.

 

Comer menos carne é mais saudável

Que objecções existem contra o deixar mais vezes a carne fora do menu? Que a alimentação vegetariana pode ser deliciosa já faz parte do conhecimento geral. Para a saúde é melhor ingerir uma quantidade igual de proteínas animais e vegetais do que a média actual do dobro de proteínas animais relativamente às vegetais.

Os vegetarianos têm uma vida tão saudável que uma empresa de seguros inglesa lhes oferece um prémio de seguro de vida mais baixo.

   

E comer pratos de caça não será melhor?

É ingénuo pensar que toda a carne de caça nas ementas dos restaurantes é de origem natural. Quase metade (45% segundo Wakker Dier) desta carne comercializada tem como origem a criação pecuária e não a natureza. Os veados são produzidos em explorações pecuárias.

Segundo a página da Sociedade Protectora de Animais (SPA) "Muitas pessoas têm no Natal uma refeição com produtos de caça na ementa. Todavia em muitos casos a caça não é tão selvagem como o nome sugere. Por exemplo o veado: o número de peças que é caçada na natureza (umas 450) é absolutamente insuficiente para satisfazer a procura de carne de veado. Por isso são criados em quintas e faz-se a importação de carne da Bélgica da Grã-Bretanha e da Nova Zelândia. Muito provávelmente a "caça" no seu prato não tem nada de "caça". Isto, e saber que para estes animais é impossível adaptarem-se à criação em cativeiro deve chegar para nos interrogarmos se realmente temos de ter carne de veado nos dias de festas.

 

E comer peixe é melhor que comer carne?

Podemos ainda pensar: Os peixes vivem em liberdade no mar, portanto pelo menos tiveram uma boa vida. Pois, mas o mar está cada vez mais vazio, o Mar do Norte já só tem metade dos peixes que antigamente tinha. Os salmões, as enguias e as trutas são criados em grandes tanques como um produto industrial, incluindo o uso de antibióticos. Muito do peixe que é pescado no mar acaba por servir de ração para estes peixes. Como perto de casa cada vez há menos que se possa pescar e os barcos cada vez são maiores e mais independentes do seu porto de abrigo, a pesca é feita cada vez mais longe. Ao longo da costa da África por exemplo, onde os pescadores da UE com redes de arrasto pescam o peixe que poderia ser dos pescadores africanos. Além de ser uma destruição de meios de subsistência trata-se também da destruição do fundo do mar e consequentemente da ruína dum sistema ecológico. Para ver um sumário das situações abusivas nas pescarias e indústrias relacionadas clique aqui.

Portanto o peixe nem sempre é uma alternativa para a carne.

     
Quanto ao javali mais ou menos o mesmo acontece: muitos deles são criados em quintas especializadas na Polónia. Os coelhos e os faisões são criados em gaiolas, os faisões são largados para logo em seguida servirem de vítima indefesa da chamada caça desportiva. As lebres vêm da Argentina e parecem ser cada vez são caçadas mais cedo devido à procura que tem vindo a aumentar.   O que dizem conhecidos filósofos e os éticos? Será necessário ser vegetariano ou será aceitável comer animais? O lado reverso do hamburger é segundo o filósofo Michiel Korthals que as manadas que fornecem os McDonald's criam uma pressão negativa quanto à biodiversidade. E a "fastfood" que é consumida tem um efeito habituante: Um hambuger tem 500 calorias. É um quarto das 2000 calorias que um homem de 25 anos necessita diáriamente. Mas o hamburger não enche; a sensação de fome não desaparece. Ao comer hamburgers o ser humano perde o controlo da sensação de fome, com todas as consequências nocivas resultantes
     
     
Para umas impressões mais ligeiras sobre a questão da carne, leia a resposta que Midas Dekkers deu numa entrevista concedida à revista da Defesa do Ambiente de Fevereiro de 2004.

 

Para quem é todo verde, você tem umas ideias notáveis: A alimentação vegetariana feita em fábricas é que tem futuro.
"Segundo o filósofo Peter Singer o ser humano é culpado de "especiismo", favorizamos a nossa própria espécie, enquanto que, segundo diz, já é tempo de tal como passámos a tratar os negros e as mulheres como pessoas tratarmos também os animais como pessoas, e por isso devemos deixar de comer porcos. Após uma dissertação de Singer fui vegetariano durante dois anos, porque não encontrei a mínima falha na sua argumentação. Foram os anos mais negros da minha vida. Quer dizer que se tem de comer Quorn e Quarn e sumos de meter medo. Nada de mal tenho a dizer sobre os vegetarianos, têm razão, mas a razão não se pode comer. E inventaram os termos mais horríveis que jamais foram inventados: especiismo e valor intrínseco. Fujo a correr até à loja para comprar uma salsicha logo que ouço alguém dizer essas palavras.   As coisas mais deliciosas do mundo inteiro, bebidas e doces vêm da fábrica Se as fábricas conseguirem descobrir os truques necessários podemos pô-las a fabricar comida usando microrganismos ou outros bicharocos de quem ninguém se compadece. E até mesmo Weesp (pequena cidade na Hol.) tem o potencial de alimentar a Holanda inteira. Pois é exactamente numa fábrica que se tem o sistema muito melhor controlado do que agora se tem, como no caso do estrume que é injectado num prado só para desaparecer na humidade da terra e nunca mais se saber onde ficou. Actualmente a comida é sangue e merda vómito e medo, suor e horrores. Se for possível substituir isto tudo por alimento produzidos em fábrica, e deixarmos os publicitários - Que nos conseguem convencer que a cerveja e a genebra são distiladas em alambiques artesanais - imaginarem formas espertas de impingir os produtos, então o vegetarisnismo tem boas perspectivas. Mas é claro que imagino estes cenários também devido ao meu sentimento de culpa por não fazer o que deveria fazer, quer dizer deixar definitivamente de comer carne."