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Direitos dos animais Comer carne Animais de estimação

O que significa o direito dos animais à liberdade?

Os direitos dos animais estão devidamente estabelecidos por lei?

O primeiro parágrafo do artigo 36 da Lei neerlandesa da Saúde e Bem-estar Animal de 1992 dizia: "é proibido, sem finalidade razoável ou excedendo o que é aceitável para atingir tal finalidade, causar dor ou lesões a um animal ou prejudicar a saúde ou o bem-estar de um animal". Desde 2013 a mesma disposição consta do artigo 2.1 da Lei dos Animais. Em Portugal, o Código Penal pune os maus-tratos a animais de companhia (artigo 387.º); no Brasil, a Lei 9.605/1998 (artigo 32) pune os maus-tratos a animais.

Apenas o abuso (ativo) de animais é rejeitado pela sociedade como imoral e proibido por lei. A crueldade passiva contra os animais é rejeitada pela maioria da sociedade, mas os seus membros ainda não agem contra ela e a lei também ainda não foi alterada neste ponto. A aplicação da lei está atrasada em relação à realidade brutal da pecuária industrial.

Para mostrar como este direito deve ser entendido em termos de liberdade, comparamos duas situações: como se encara agora a detenção e o abate dos animais e como deveria ser se os animais tivessem um direito constitucional à liberdade.

De agora ao direito à liberdade

agora com direito à liberdade sem diferença
InevitávelEvitável mas aceiteA evitar: não se fazImoral
Matar bactérias e vírus
Insetos vítimas do trânsito ou esmagados durante uma caminhada
Matar moscas e mosquitos
Mamíferos vítimas do trânsito ou de captura acidental
Caça de gestão *
Animais exóticos "de estimação"
Aves de gaiola
Jardins zoológicos (privados)
Testes em animais
Criação de animais de pele proibida nos Países Baixos desde 2021
Usar roupas de pele como luxo ***
Caça furtiva
Abuso de animais

Algo que seja inevitável e ao mesmo tempo proibido não existe, nem agora nem no futuro.

Evitável ou a evitar?

caracol a protestarA maioria das situações no tratamento de animais cai na categoria "evitável"; cabe ao indivíduo escolher os limites do seu comportamento.

Se partirmos da liberdade como direito fundamental dos animais, a categoria "evitável" passa a ser "a evitar". Com esta subtil diferença queremos mostrar que é melhor evitar essas coisas, mas que, dada a situação, o princípio de que os animais têm direito à liberdade permanece válido. Por exemplo: se achar que pode comer animais (o que é evitável e não é necessário), continua moralmente obrigado a escolher os animais que tiveram a oportunidade de exprimir o seu comportamento natural durante toda a vida antes do abate.

Os animais em causa são: peixes, répteis, anfíbios, aves e mamíferos. Em princípio os direitos dos animais valem para todos os animais, mas não queremos fazer de um mosquito um elefante.

coelho a protestarBasear os direitos dos animais na liberdade tem uma série de implicações para a pecuária, o desporto e as nossas relações com os animais de estimação: estas devem ser limitadas.

* Idealmente, gostaríamos que a caça de gestão se tornasse supérflua, promovendo o equilíbrio natural, possivelmente através da (re)introdução de predadores naturais. Então não seria necessário discutir se a caça de gestão deveria ser proibida.

** Manter animais de estimação que não foram vítimas de reprodução excessiva e que se podem comportar naturalmente. Em geral, pode aplicar-se a máxima: "se o animal permanece com o ser humano em total liberdade, não há nada de errado em mantê-lo como animal de estimação".

*** Há responsáveis primários e secundários pelo sofrimento dos animais. Vestir peles (artificiais) é outra coisa (mais secundária) do que a criação de animais de pele (responsabilidade mais primária). A proibição do uso de peles vai longe demais, porque as pessoas, por pura teimosia e como protesto contra a limitação da sua liberdade, podem ser levadas a usar peles precisamente por isso. Algo semelhante se aplica a obrigar as pessoas a comer carne ecológica. Nestes casos é mais vantajoso exercer pressão social.

O que é a liberdade?

ouriço a protestarDeliberadamente não damos nenhuma definição de liberdade. A liberdade é um conceito paradoxal, que se torna impraticável se a quisermos definir em pormenor: "freedom defined is freedom denied" (a liberdade definida é a liberdade negada).

Os animais são livres:

  1. de sede, fome e desnutrição;
  2. de desconforto físico e fisiológico;
  3. de dor, lesões e doenças;
  4. de medo e stress crónico;
  5. para exprimir o seu comportamento natural (específico da espécie).

As primeiras liberdades são incontestáveis; as duas últimas (infelizmente) muitas vezes não são alcançadas na prática.

Leia também: Falácias sobre a caça às focas.

Sugestão para a sua área linguística

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