Argumentos inválidos sobre as touradas

Touradas em Portugal e no Brasil (2026)

  • Portugal. Desde 1995 é proibido matar o touro na arena (Lei n.º 92/95). A única exceção é Barrancos, desde 2002 (Lei n.º 19/2002). Na tourada à portuguesa, o touro é ferido com ferros cravados no dorso e, depois da corrida, é em geral abatido. Em 2025 realizaram-se 147 espetáculos tauromáquicos em 63 concelhos (IGAC), com perto de 300 mil espectadores (INE). Desde 2025, os bilhetes pagam o IVA reduzido de 6%. As crianças podem assistir a partir dos 12 anos: o aumento para 16 anos, aprovado pelo Governo em 2021, nunca entrou em vigor. Está em curso um pedido para inscrever as corridas de touros no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
  • Brasil. A discussão é sobretudo sobre a vaquejada, o rodeio e a farra do boi. O Supremo Tribunal Federal proibiu a farra do boi em Santa Catarina (1997) e considerou a vaquejada cruel (2016): os bois sofriam fraturas nas patas e na cauda e por vezes a cauda era arrancada. A Emenda Constitucional 96/2017 determinou depois que as práticas desportivas com animais que sejam manifestações culturais não são consideradas cruéis. Em 2025, o STF aceitou esta emenda, desde que uma lei garanta o bem-estar dos animais. Por lei, o rodeio, a vaquejada e o laço são património cultural imaterial (Lei 13.364/2016, alterada em 2019).

Fontes: Lei n.º 92/95 e Lei n.º 19/2002; IGAC e INE (2025); STF, RE 153.531 (1997), ADI 4983 (2016) e ADI 5728 (2025); Lei 13.364/2016. Atualizado em outubro de 2026.

Argumentos falsos a favor das touradas refutados

Tradição, cultura e religião

Pró: A tourada faz parte da nossa cultura e é uma tradição muito antiga. Quem a quer abolir despreza a nossa cultura.
Contra: Todas as culturas, ocidentais ou não, contêm tradições construtivas e destrutivas. A antiguidade de uma tradição não pode servir para a justificar moralmente.
As touradas têm uma dimensão religiosa: representam a luta do bem e do mal, sendo os touros os representantes do mal.
Celebrações religiosas não são uma bula que permita reduzir os animais a um símbolo.
Deus criou os touros para lutarem na praça de touros com o toureiro e assim morrerem.
Demonstra muita pretensão falar em nome de Deus sobre a finalidade dos animais.
As touradas representam a essência do nosso país. Quem é contra as touradas é contra o nosso país.
É arbitrário identificar um país com uma única tradição. Muitos portugueses opõem-se às touradas e não se reveem nelas. Pode-se até afirmar o contrário: quem gosta realmente do seu país deseja que esta tradição acabe.
A vaquejada é uma manifestação cultural. A própria Constituição diz que não é cruel.
Uma lei pode dizer que uma prática não é cruel, mas não muda a dor do animal. Os laudos apresentados ao Supremo Tribunal Federal em 2016 mostravam fraturas nas patas e na cauda e caudas arrancadas.

O sofrimento do touro

Um touro é tratado muito melhor até ser lidado do que um boi criado na pecuária industrial apenas para a produção de carne.
Pode ser verdade, mas não é um argumento válido: a existência de condições ainda mais cruéis não torna esta menos cruel.
Em Portugal o touro não é morto na arena. Por isso, a tourada à portuguesa não é cruel.
O touro é ferido com ferros cravados no dorso e, depois da corrida, em geral é abatido. Não o matar diante do público não lhe poupa o sofrimento.
Uma tourada é uma prova de veneração e uma homenagem à força do animal.
Veneração e homenagens não se prestam por meio de torturas.
Uma tourada não é para ser vista como um desporto, mas como uma síntese de arte, dança e, dizem os aficionados, virilidade extrema (machismo).
Que se possam ver nela outros aspetos não a torna menos cruel.
Uma tourada permite uma saudável descarga coletiva de sentimentos negativos e de agressividade.
Existem alternativas inofensivas para essa descarga (por exemplo, o desporto) que não fazem sofrer os animais.
Os touros bravos são criados apenas pelas suas qualidades de lide. A abolição das touradas significaria a perda definitiva de uma raça com características únicas.
Os animais não ganham nada com a conservação da sua raça se sofrem severamente por a ela pertencerem.

Turismo e imagem do país

As touradas são importantes para o turismo.
Muitos turistas vão a uma tourada apenas por curiosidade e saem de lá mal-dispostos. No fim, a imagem do país sai prejudicada.
Um toureiro e um touro ferido

Leia também: Que formas de lidar com os animais devem ser proibidas?; Integridade física, bem-estar e direitos dos animais.

Que falácia é esta? Jogue

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Dez frases sobre animais que se ouvem muitas vezes. Consegue reconhecer a falácia? Depois de cada resposta lê porque é que o argumento não se sustenta.

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Este artigo faz parte de uma série sobre falácias e demagogia

Alguns argumentos são usados com frequência, mas não são válidos. Usam-nos tanto os defensores como os opositores. Chamam-se argumentos falaciosos, ou falácias.

Cada argumento vem acompanhado da nossa resposta. Assim a discussão fica mais clara e mais honesta.

Há vários tipos de argumentos falaciosos. Algumas falácias são usadas de propósito, outras por engano. Por isso convém prestar atenção aos princípios e à honestidade de quem está do outro lado da discussão.

Veja também como reagir quando outras pessoas tratam mal os animais.

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